Presidente da Associação Brasileira de Logística fala sobre os desafios para 2019

logística 2019

Confira a entrevista exclusiva com o presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Francisco Moreira (foto: Zé Amaral). Ele faz um balanço de 2018 e aborda as principais tendências e desafios para 2019. Boa leitura!

 

1- Qual o balanço que a Abralog faz de 2018, sobre o setor de logística do Brasil?

Foi um ano bom, mas poderia ter sido melhor. Aliás, o novo governo poderia ter início em situação bem mais favorável, não fosse a greve dos caminhoneiros, que trouxe um brutal prejuízo para todos os envolvidos. Quase destruiu um ano promissor e quem fez a greve saiu dela pior do que entrou.

A greve conseguiu a façanha de desorganizar a produção, embolar a distribuição, desestruturar mais ainda o problemático sistema de fretes do País, pois o governo brindou o País com um esdrúxulo tabelamento de fretes. A greve fez com que o Brasil descobrisse pelo caminho mais doloroso a importância da logística – e de quebra ainda deixou claro que se tivéssemos a multimodalidade, muito pouco dos transtornos ocorridos teriam se verificado.

 

2 –  Quais são os desafios e as perspectivas para 2019?

Ao novo governo, que toma posse daqui a alguns dias, a Abralog, em nota oficial, já  manifestou seu otimismo e esperança de que enxergue a logística como um dos principais caminhos para a retomada do crescimento econômico.

Isso pode ser feito pela construção da infraestrutura que não temos. Mas construção de infraestrutura com segurança jurídica, regras claras e retorno adequado para os investimentos.

Há muito dinheiro no mundo para financiar essa infraestrutura que nos falta. Não adiantam planos e mais planos. Planos já temos demais; somos bons nisso. Pecamos é na execução. Faz parte da nossa história estarmos sempre disponíveis para colaborar com o Poder Público. Com o novo governo não vai ser diferente.

 

3 –  Em relação às tecnologias, quais são as principais tendências para o setor?

A tecnologia é a cada dia mais fundamental. Não se consegue mais fazer logística de alta performance sem o uso da tecnologia, sem softwares de simulação, gestão de armazéns e pátios, roteirização e sem aplicativos. Várias empresas brasileiras já despertaram para isso e usam muito essa tecnologia, o que explica também os bons resultados da logística brasileira diante da carência de infraestrutura.

O melhor é que já está chegando a chamada indústria e logística 4.0, uma nova revolução industrial, na qual temos a internet das coisas, o uso de inteligência artificial e do blockchain. Tudo vem mudando rapidamente. A forma como se faz logística hoje não existirá daqui a cinco anos. Empresas que estão estacionadas no quesito tecnologia precisam despertar e avançar nessa direção. Os custos de software e hardware têm caído ao longo dos anos.

Para melhorar e reduzir custos, fazer mais com menos é também necessário investir. Faz parte da equação da logística de alta performance.

 

4 – Quais são os principais pontos da agenda do setor, para diminuir o custo Brasil? Em que medida o setor de logística pode ajudar o Brasil a retomar o crescimento econômico?

A logística pode ajudar, e muito. A Abralog, por exemplo, é um fórum de integração de todos os players do setor, incluindo quem fornece as soluções e quem as aplica. Dessa forma, a entidade reúne praticamente todas as cadeias produtivas, o que resulta num nicho de excelência e conhecimento da logística. A entidade também tem como uma de suas principais missões dedicar-se fortemente aos associados por meio da geração de conteúdo, criando oportunidades de negócios, capacitação e auxiliando na avaliação de cenários e tendências.

Nós buscamos entender o associado em suas necessidades, dificuldades e também compreender como obteve sucesso, como venceu. Isso leva a uma relação de aprendizado com nossos sócios, de proliferação e disseminação das melhores práticas ao mercado. Aprendemos muito com eles,

A logística brasileira tem se desenvolvido nos últimos anos, o nível dos profissionais tem melhorado, são abnegados, persistentes e criativos. Essa é uma conclusão quase que inevitável quando se olha para um País que possui infraestrutura precária, que quase não tem multimodalidade, um País que vai de caminhão quando deveria ir de trem que despreza a maior bacia hídrica do mundo, pois usa pouco a hidrovia.

Sem falar do potencial enorme da cabotagem. Da porta para dentro das fábricas pode-se considerar que há vários setores com logística de excelência, desenvolvida e eficiente, que busca atualização e está atenta à grande revolução tecnológica dos dias de hoje.

Da porta para fora, que é o Brasil com infraestrutura ainda precária e sem que os modais de transporte conversem entre si, ela dá mostras de valentia, enfrentando restrições de toda a sorte, seja de trânsito, roubo de cargas, rodovias precárias, filas nos portos, enfim, nenhuma facilidade. Se o Brasil consegue ir e vir todos os dias, é por causa da logística e seus profissionais.

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